
100 anos de glórias, 100 anos de história
Quando criança, meu pai falava muito de um tal de Murilo, que chegou ao Parque São Jorge para jogar e era um grande ídolo. Eu que não entendia nada disso.Meu pai era um apaixonado pelo Corinthians.Estava ligado nas manchetes esportivas, sabia tudo.E eu sabia através dele.
Alguns artigos nos jornais trazem essa semana tudo a respeito do centenário. E existem matérias trazendo dados sobre o tamanho da torcida, qual é o estilo dos corinthianos, que leva alguém a ser corinthiano. É mesmo: o que leva alguém a ser corinthiano? Não temos libertadores, não temos os jogadores mais badalados- a exceção, claro, Ronaldo- não temos estádio, somos maloqueiros, somos bregas, como os rivais dizem.
Minha condição de corinthiana foi por hereditariedade mesmo. Passei a infância vendo o velho com o radinho na mão ouvindo o jogo. Ele morreu no dia em que o Corinthians foi campeão paulista em 95, com Marcelinho Carioca e cia , gol de Elivelton. Quando ele estava no hospital muito fraquinho, no dia do primeiro jogo daquela decisão, ficava pedindo pra eu ir achar uma tevê pra ver se o árbitro José Aparecido não estava roubando. Que bronca ele tinha desse tal José Aparecido, dizia que ele perseguia o Corinthians. Dizem muito a expressão “Ser corinthiano até morrer”. Meu pai o foi.
E também por hereditariedade meu filho torce pro Timão. Ele inclusive joga lá, num time de garotos sub-15. A gente vai aos jogos, muitas vezes em lugares muito longe. Vibramos, torcemos, sofremos. Somos pais e torcedores. Parece que é o time profissional que ta jogando. Tudo o que leva o nome do Corinthians faz brotar a emoção na gente. Ano passado meu filho foi campeão no sub-13, nunca vou me esquecer daquele dia em minha vida. Minha filha torce pra outro time, mesmo em casa tem gozação quando o timão perde, mas isso faz parte. Como disse Thiago Leifert, o que seria do Corinthians se não houvessem os outros times e o que seria dos outros times se não houvesse o Corinthians. Nossa que reflexão profunda!
É uma paixão que vai envolvendo a gente, um vírus que nos contagia pra sempre. O preto e branco entra na nossa casa fazendo presença no piso da cozinha, nos azulejos, nos enfeites. Influencia nos presentes que a gente ganha dos amigos. Interfere até nas pessoas que a gente admira e quando sabemos que são torcedores da time da gente, ai , gostamos mais ainda. A gente faz festa mesmo. Sai às ruas com camisetas e vai ao estádio comer sanduíche de pernil. Ser corinthiano é uma maravilha.
Parabéns meu timão mais lindo do mundo!